Marcha das Vadias

Nome forte para chamar atenção de algo ainda mais forte e grave: a violência contra a mulher. O porquê do nome em poucas palavras: um policial, ao ministrar uma palestra sobre segurança no campus em uma universidade canadense, disse às mulheres que não se vestissem como vagabundas, em inglês, sluts. Indignadas com tal conselho, as mulheres ali presentes se organizaram e fizeram a Slut Walk com o simples objetivo de dizer que todas somos livres para usarmos o que quisermos e isso, ou qualquer atitude, de forma alguma é um incentivo ou justificativa ao estupro ou qualquer outro tipo de violência de gênero. (Fonte sobre a história: Revista TPM)

Ocorreu a Marcha das Vadias em Brasília nesse sábado, dia 18, para exigir a igualdade de gênero subjetiva e não apenas objetiva. Foram citados, inclusive, casos recentes de estupros que ocorreram em plena luz do dia em zonas tidas como seguras. Se fosse para descrever o motivo da marcha em uma palavra, essa palavra seria respeito. Obviamente não pude participar, mas muitos amigos foram, muito orgulho de todos ali presentes!

Triste a realidade, mas de fato muitos acham que “a mulher provocou”. Tive a infeliz oportunidade de escutar isso na minha aula de Direito Penal II (!!!!) dos alunos (mudei de turma depois), inclusive, de uma mulher, que não satisfeita em falar um absurdo desses, continuou com seus infelizes comentários dizendo que, “por exemplo, a filha da minha empregada tem 11 anos e se veste como 18, tem atitudes provocantes”. Provocador para mim é esse tipo de comentário: provoca indignação, raiva, tristeza e tantos outros sentimentos negativos. Pois é, escutar isso de uma mulher…

Aqui em Barcelona sinto muito a violência contra a mulher. Cidade ultra turística, com turismo de festas, é algo que é complicado. Sinceramente, falta respeito por parte dos turistas com os moradores da cidade. Voltar gritando das festas às 8 da manhã, vomitar nas ruas, provocar as pessoas que passam, sério, um pouco de semancol por favor… Mas, voltando ao meu foco, que é gênero, os turistas homens têm uma atitude especialmente depreciativa quanto às mulheres. É passar e ouvir algum tipo de comentário, não é só comigo e não é só na minha rua, que realmente é bem movimentada. É com basicamente qualquer rabo de saia que passe, seja de saia, de calça, de macacão, de short, etc. É além de desagradável. Entram aí também, nos que fazem comentários desagradáveis às mulheres, os imigrantes de países não ocidentais. Me dói muito dizer isso, pois soa extremamente preconceituoso, mas, infelizmente não foi um pré-conceito e sim um pós-conceito. Minha única explicação razoável é a diferença de cultura e a posição da mulher nas sociedades desses indivíduos. Só quero deixar claro que não são todos os imigrantes! São aqueles que ficam andando pela rua, fazendo não sei o quê, a maioria que está aqui rala para caramba em busca de uma vida digna.

A primeira vez que ouvi uma amiga reclamando de imigrantes quanto a isso fiquei assustada, pois ela usou uma frase como “se quer tratar as mulheres assim, volte à selva de onde veio”, gente, me doeu muito. Selva de onde veio?? Só pensei: europeu (generalização feia, eu sei), as vezes, não tem noção da vida mesmo não. Bom, um mês depois morando numa rua movimentada e cêntrica devo dizer que entendi o porquê da frase. Não é à noite, é a qualquer hora e com qualquer uma. Extremamente ofensivo. Aí parei para pensar: mas, calma aí, não é a primeira vez que eu ou alguma amiga minha escutamos esse tipo de coisa, porque só agora fui me tocar da violência que é? Por conta da intensidade e da frequência. De certa forma, estamos acostumadas com algo que nunca deveríamos estar e, em nossas cidades, na nossa rotina, e em uma cidade setorizada como Brasília, simplesmente evitamos alguns lugares sem nem perceber ou nos importarmos com o absurdo que é essa realidade. Temos a tendência de ver violência apenas quando é algo físico, um “perigo real”, mas o desconforto causado por alguns comentários é também uma violência. E o revoltante: o que fazer? Encarar um cara que não conhecemos pode ser extremamente perigoso. Então acaba que a “melhor” atitude é a indiferença, não abaixar a cabeça, apenas aparentar ignorar. O impressionante: não acontece se estamos acompanhadas de um homem. Por quê? Simples, porque já estamos com ele, já somos de alguém, por assim dizer.

Bom, isso foi um desabafo de alguém que até pouco tempo atrás nunca tinha se visto feminista, por nunca ter realmente percebido, já que nunca tinha sentido. Em uma casa com três mulheres e um homem nada machista foi difícil perceber. Mas, para você que também não sente, é só sair um pouquinho, para mim foi quando comecei a trabalhar na periferia que percebi a real realidade. Desde pensão alimentícia à Lei Maria da Penha, à meninas bem nascidas criadas para um bom casamento e para a vida no lar (não que essa seja ruim, mas é preciso saber que é uma escolha e não um fato), a violência de gênero está aí e já passou da hora de ter seu fim.

Ah, aproveito para lembrar que essa luta é de todos, não apenas de nós mulheres, é de todos aqueles que desejam e acreditam em uma sociedade igualitária, livre e justa.
Anúncios
Esse post foi publicado em Uncategorized e marcado , , , , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para Marcha das Vadias

  1. Isabela disse:

    chocada com o que li no blog da Lola, chocada meeeesmo, inacreditável!! como que alguem perde direitos constitucinais p representar uma escola?? eh claro q nao eh isso q me choca… mas o poder de argumentar isso p tirar totalmente o foco do problema e culpar mais do que ja tinham culpado essa menina, que horror!!!
    inacreditável… o que mais me assuta é que tudo isso passou por um monte de mulheres com certeza, que nao fizeram NADA e com homens q tem irmas e filhas e por ai vai…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s